Sobre o nome do blog

Língua franca é a uma língua de comunicação geral dentro de uma região multilíngue. Por exemplo: na bacia do rio Urupês, no Noroeste amazônico, são faladas dezenas de línguas indígenas. Isso, porém, não impede os diversos povos que habitam aquela região consigam se comunicar. Para interagir uns com os outros, eles usam a língua tukano, que todo mundo por ali entende (pelo menos um pouco). Por isso, os linguistas dizem que o tukano funciona como língua franca no Noroeste amazônico: em grande medida, é graças a ela que todos os habitantes da região conseguem se entender.

Aumentando um pouco a escala, você pode pensar que o Planeta Terra inteiro é uma grande região multilíngue. E é mesmo: segundo o Projeto Ethnologue, 7.097 línguas são faladas atualmente neste canto do universo. Nessa escala global, o melhor candidato a língua franca é evidentemente o inglês, hoje entronizado (para o bem ou para o mal) no posto de língua internacional das ciências, dos negócios, da aviação, do comércio exterior e dos games online.

Este blog não é escrito em inglês nem em tukano, mas é escrito numa língua que boa parte dos brasileiros é capaz de entender: o Português Claro. Ele é uma língua bem diferente de esquisitices como o academiquês, o juridiquês e o mediquês. No meio desses dialetos profissionais quase ininteligíveis, o Português Claro é uma espécie de língua franca: um jeito de falar sobre ciência, direito e medicina de uma forma que mesmo os não-iniciados possam participar da conversa.

Essa é uma interpretação possível para o significado da expressão língua franca no nome deste blog. E ela nos agrada, porque implica que nosso objetivo é ser entendido – e conseguir entabular uma conversa – com todo mundo que se interessa pela linguagem humana. E não apenas com os cientistas que fazem dela o seu ganha-pão.

Mas também nos agrada uma segunda interpretação, que é a seguinte: o blog se chama Língua Franca simplesmente porque queremos falar sobre linguagem de um jeito franco. Sem papas na língua. Sincerão.

Escolha a sua interpretação preferida. Ou, melhor ainda, fique com as duas.